Sou eu,
mais nada.
O vento que sopras
continua sem balanço
enquanto eu me lanço
do abismo.
Espreito
em bicos dos pés
com a certeza crescente
de que quem sente
não sou eu.
A minha casa não é esta.
Que chão é este
que me enche de feridas?,
quando sempre soubeste
da minha predilecção
por pés descalços.
Quantas vidas me restam?
Há quanto tempo
conto o tempo
que me falta para sair?
As raízes que inventamos
esbatem-se
na imensidão do Universo
em constante mutação
por pesadelos
com outros tectos e soalhos
mais amaciados do que os teus.
Estas paredes
apodrecem ao meu toque.
E enquanto eu me arrasto na lama
tu continuas preso ao carrossel
onde nos encontramos
de tempos a tempos.
Mas não consigo amar-te sempre,
ser feliz cansa-me a alma.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Há uma casa
Há uma casa
onde nunca vivi,
sem portas nem quartos
com escadas em caracol.
Cortaram-lhe as asas
e quebraram janelas
forçaram jaulas
e muros fantasma
ergueram por dentro
no centro do nada,
Havia uma casa
a caminho do Sol
onde os andaram eram palavras
e as camas revolução.
Havia uma casa
sem coisas feias
com pensamentos
espalhados pelo chão.
Há uma casa
onde nunca vivi
mas diz quem viveu
que o sonho
que também é meu
não pode ser emparedado
e que quanto mais cimento o cobre
menos amordaçado
será o novo amanhecer.
onde nunca vivi,
sem portas nem quartos
com escadas em caracol.
Cortaram-lhe as asas
e quebraram janelas
forçaram jaulas
e muros fantasma
ergueram por dentro
no centro do nada,
Havia uma casa
a caminho do Sol
onde os andaram eram palavras
e as camas revolução.
Havia uma casa
sem coisas feias
com pensamentos
espalhados pelo chão.
Há uma casa
onde nunca vivi
mas diz quem viveu
que o sonho
que também é meu
não pode ser emparedado
e que quanto mais cimento o cobre
menos amordaçado
será o novo amanhecer.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Se eu soubesse
Se eu soubesse
como era ser assim,
antes de eu ser tu
e outro se transformar em mim.
Ai se eu soubesse, meu amor
não me tinha atirado do abismo
sem agarrar a tua mão.
Se eu soubesse
das flores de perdição
que criava no meu próprio umbigo
inconsciente do perigo
e alimentado apenas
por esse sabor amargo
a avareza venenosa.
Se ao menos adivinhasse
que depois desses teus braços
os laços seriam tão distantes...
Mas há quanto parei eu
de contar amantes
e coisas malditas?
Se são as mentiras que digo
as que me fazem amar de verdade
e se a realidade
dá apenas azo a enganos?
Quantas juras de amor fiz eu,
quantos foram únicos e primeiros
tão intensos e verdadeiros,
quantos escrevi sem sentir
e senti sem saber?
E o pior,
o pior é que não sei nem o que disse.
como era ser assim,
antes de eu ser tu
e outro se transformar em mim.
Ai se eu soubesse, meu amor
não me tinha atirado do abismo
sem agarrar a tua mão.
Se eu soubesse
das flores de perdição
que criava no meu próprio umbigo
inconsciente do perigo
e alimentado apenas
por esse sabor amargo
a avareza venenosa.
Se ao menos adivinhasse
que depois desses teus braços
os laços seriam tão distantes...
Mas há quanto parei eu
de contar amantes
e coisas malditas?
Se são as mentiras que digo
as que me fazem amar de verdade
e se a realidade
dá apenas azo a enganos?
Quantas juras de amor fiz eu,
quantos foram únicos e primeiros
tão intensos e verdadeiros,
quantos escrevi sem sentir
e senti sem saber?
E o pior,
o pior é que não sei nem o que disse.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Há sonhos assim
Se o meu corpo fosse um instrumento
e o tocasses tão furiosamente
como arranhas as cordas,
nessa melodia transcendente
que me apaixona a cada nota...
Não sei o porquê
das tuas mãos entre o linho e o algodão
nem das tuas linhas
a desfazerem os meus prantos.
Tu que me lembras toda a gente
e nunca foste de ninguém.
E assim sopro-te as penas do ombro
com a esperança vã
de te ver na minha cama
na noite fria que se avizinha,
entre sonhos e paisagens
perdidas nos nossos olhos gélidos,
mortas por bolas santas
num despertar qualquer.
Há sonhos assim,
em que me esqueço que existes
e não sinto a profundidade do teu corpo
perdido no meu
em alegorias fantasmagóricas
fantasiadas pela tua ausência
na mente de outro alguém.
e o tocasses tão furiosamente
como arranhas as cordas,
nessa melodia transcendente
que me apaixona a cada nota...
Não sei o porquê
das tuas mãos entre o linho e o algodão
nem das tuas linhas
a desfazerem os meus prantos.
Tu que me lembras toda a gente
e nunca foste de ninguém.
E assim sopro-te as penas do ombro
com a esperança vã
de te ver na minha cama
na noite fria que se avizinha,
entre sonhos e paisagens
perdidas nos nossos olhos gélidos,
mortas por bolas santas
num despertar qualquer.
Há sonhos assim,
em que me esqueço que existes
e não sinto a profundidade do teu corpo
perdido no meu
em alegorias fantasmagóricas
fantasiadas pela tua ausência
na mente de outro alguém.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Ilusões
O teu corpo esguio
corrompe as minhas entranhas
e sem grandes artimanhas
quebra o meu em pedaços
encontrados calmamente
nos suores do teu regaço
consolado com a chegada
e rompido pela partida
que um outro dia
será desfeita pelo cansaço
de esgrimir com dentes de aço
moinhos de vento
ao relento de miragens.
Mas a tua pele,
comprometida ou não,
será sempre minha
e a única prisão que verás
são as entrelinhas dos poemas
que tal como as minhas pernas
se entrelaçam à tua alma
na tranquilidade inocente
de uma violência nossa apenas.
corrompe as minhas entranhas
e sem grandes artimanhas
quebra o meu em pedaços
encontrados calmamente
nos suores do teu regaço
consolado com a chegada
e rompido pela partida
que um outro dia
será desfeita pelo cansaço
de esgrimir com dentes de aço
moinhos de vento
ao relento de miragens.
Mas a tua pele,
comprometida ou não,
será sempre minha
e a única prisão que verás
são as entrelinhas dos poemas
que tal como as minhas pernas
se entrelaçam à tua alma
na tranquilidade inocente
de uma violência nossa apenas.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A dança das putas tristes
O cheiro a queimado
dos pavios
no palácio das velas de cristal...
Olhai para elas tão belas,
que putas tão bem vestidas,
bailando ao som
de tristes violinistas.
Os seus seios descobertos
alerta a qualquer movimento mais audaz.
Que caminhos tão incertos
toma esta gente
quando abunda a aguardente
e a droga no bar.
Não tema senhora!
Sou burguês
e o meu órgão está apenas
à mercê das suas lindas mãos!
Desvie os olhos da faca
e oiça os calabouços
das jóias e do ópio!
Sim, meu bom homem,
mas já não é sangue nem sémen
o que brota destes olhos,
agora só molhos de rosas
e a mais pura das águas
escorrem por esta face.
Veja, veja senhor
o mal que o amor me fez!
Mas dança puta,
dança por enquanto não te cansas
o balanço do teu corpo
é o avanço de outras coisas.
E se poisas no chão
hás-de ver a minha mão
esbofetear-te com lembranças.
E o baile não pára nunca,
entre o fumo dos cigarros
e os sorrisos rasgados
das senhoras.
Que encanto,
que deleite!
Saber que as podemos ter no leito
numa noite como esta.
Porque não?
Se o coração já não diz nada
e não passamos de bestas embriagadas
no hospício da solidão...
dos pavios
no palácio das velas de cristal...
Olhai para elas tão belas,
que putas tão bem vestidas,
bailando ao som
de tristes violinistas.
Os seus seios descobertos
alerta a qualquer movimento mais audaz.
Que caminhos tão incertos
toma esta gente
quando abunda a aguardente
e a droga no bar.
Não tema senhora!
Sou burguês
e o meu órgão está apenas
à mercê das suas lindas mãos!
Desvie os olhos da faca
e oiça os calabouços
das jóias e do ópio!
Sim, meu bom homem,
mas já não é sangue nem sémen
o que brota destes olhos,
agora só molhos de rosas
e a mais pura das águas
escorrem por esta face.
Veja, veja senhor
o mal que o amor me fez!
Mas dança puta,
dança por enquanto não te cansas
o balanço do teu corpo
é o avanço de outras coisas.
E se poisas no chão
hás-de ver a minha mão
esbofetear-te com lembranças.
E o baile não pára nunca,
entre o fumo dos cigarros
e os sorrisos rasgados
das senhoras.
Que encanto,
que deleite!
Saber que as podemos ter no leito
numa noite como esta.
Porque não?
Se o coração já não diz nada
e não passamos de bestas embriagadas
no hospício da solidão...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Fotografia
Um dia
eu vou ouvir na minha
fotografia
o mel atroz
da tua voz
por entre os sons das minhas,
inexistentes
dormentes
por outro sexo
que não o teu.
E o céu pesado
inacabado
nos meus sonhos e melancolias
rompido por gestos
discretos
e cortantes
como um limão
em vidas partidas
será nosso
outro dia.
O cheiro
lavado
do teu quarto
e do teu corpo
nunca usado
por mais ninguém
será
mais uma vez
encontrado
na nudeza
das minhas mãos
suaves
e suadas
lambendo
a tua fotografia.
eu vou ouvir na minha
fotografia
o mel atroz
da tua voz
por entre os sons das minhas,
inexistentes
dormentes
por outro sexo
que não o teu.
E o céu pesado
inacabado
nos meus sonhos e melancolias
rompido por gestos
discretos
e cortantes
como um limão
em vidas partidas
será nosso
outro dia.
O cheiro
lavado
do teu quarto
e do teu corpo
nunca usado
por mais ninguém
será
mais uma vez
encontrado
na nudeza
das minhas mãos
suaves
e suadas
lambendo
a tua fotografia.
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