O meu amor piramidal
de papel e cartão
ora pairando em nuvens brancas
ora espalhado pelo chão.
Encontro-me nas tuas pernas descarnadas
e sinto os ouvidos entupidos
com sangue coagulado
pelos meus próprios silêncios enigmáticos
que com beijos asmáticos tentas contrariar.
Mas depois de tudo,
desejos flutuantes e instintos animais
somos os mesmos chacais que antes
com dentes afiados,
assassinos sem descanso
com inseguranças de gente grande.
E só tu,
mesmo sem vinhos ou fumos
fazes com que me perca
sem outro sabor
ou outra tela
que não o teu semén
elegantemente distribuído
pelos pequenos seios
que não ousas maltratar.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
Mentiras
Escrevo cartas e poemas
teço esquemas escondidos
na minha cabeça doente
para me provar errada.
Os meus sentimentos
passageiros,
os meus poemas
mentirosos
e as minhas ideias
inconcebíveis
para alguém que não eu.
Mas divirto-me
com as minhas mentiras
e minto tão bem
que me creio verdadeira
e por mais que queira
a brincadeira não tem fim.
teço esquemas escondidos
na minha cabeça doente
para me provar errada.
Os meus sentimentos
passageiros,
os meus poemas
mentirosos
e as minhas ideias
inconcebíveis
para alguém que não eu.
Mas divirto-me
com as minhas mentiras
e minto tão bem
que me creio verdadeira
e por mais que queira
a brincadeira não tem fim.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
É tão bom saber que choras
É tão bom saber que choras,
que tens tremores e suores
nas noites vagarosas
em que me lembro
que não sou nada mais
do que a lembrança
de um passado distante
vivido em horas erradas.
É bom saber que na matança
te terei sempre ao meu lado,
triste palhaço consolado
que viajas ziguezagueando
pelos recantos desta história.
Como dá gosto o teu abraço
e o teu cheiro a carne fresca
que sinto nas minhas entranhas,
a tua espada no meu ventre.
E o meu desejo
outrora ardente
perde-se em estranhos ideais
e fôssemos nós criaturas banais
já te terias extinguido
nas profundezas destas linhas
que por mais que te doa
nunca terão traços iguais.
que tens tremores e suores
nas noites vagarosas
em que me lembro
que não sou nada mais
do que a lembrança
de um passado distante
vivido em horas erradas.
É bom saber que na matança
te terei sempre ao meu lado,
triste palhaço consolado
que viajas ziguezagueando
pelos recantos desta história.
Como dá gosto o teu abraço
e o teu cheiro a carne fresca
que sinto nas minhas entranhas,
a tua espada no meu ventre.
E o meu desejo
outrora ardente
perde-se em estranhos ideais
e fôssemos nós criaturas banais
já te terias extinguido
nas profundezas destas linhas
que por mais que te doa
nunca terão traços iguais.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Leite
Se me visses esta noite
entre os ventos fortes e a melancolia
saberias com certeza
que no correr das horas certas
deste dia luminoso
o meu peito foi deserto
e aguardente nos teus sonhos.
Que os olhos
cujas lágrimas lambeste
de forma tão doce e doente
não vêem outros marinheiros
ou outras velas que não tuas,
nem me levantam outras gruas
ou sabem caminhos de grutas
línguas alheias aos poemas.
Se me visses meu amor
de caracóis despenteados
baços e mal lavados,
de olheiras fundas
e pupilas dilatadas
boca seca e lábios gretados...
Se me visses esta noite
saberias com certeza
que a minha pureza
pode apenas ser saciada
pelo meu leito partilhado
com o teu leite nos meus seios
e o meu peito ocupado
pelas tuas mãos geladas
e pela memória do deserto
esquecida no aperto
de uma noite que não esta.
entre os ventos fortes e a melancolia
saberias com certeza
que no correr das horas certas
deste dia luminoso
o meu peito foi deserto
e aguardente nos teus sonhos.
Que os olhos
cujas lágrimas lambeste
de forma tão doce e doente
não vêem outros marinheiros
ou outras velas que não tuas,
nem me levantam outras gruas
ou sabem caminhos de grutas
línguas alheias aos poemas.
Se me visses meu amor
de caracóis despenteados
baços e mal lavados,
de olheiras fundas
e pupilas dilatadas
boca seca e lábios gretados...
Se me visses esta noite
saberias com certeza
que a minha pureza
pode apenas ser saciada
pelo meu leito partilhado
com o teu leite nos meus seios
e o meu peito ocupado
pelas tuas mãos geladas
e pela memória do deserto
esquecida no aperto
de uma noite que não esta.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Antigamente via cores
Antigamente via cores,
via vidas noutras asas,
antigamente era tão fácil
caminhar pela calçada.
Mas o vento levou tudo,
até o branco dos lençóis,
corrompeu o meu perfume
e corrói em brandos lumes
os nossos ritos e costumes
entre opacos fumos
à beira de outros faróis.
Fomos ursos gambuzinos,
braços fortes e desmaios,
fomos casa, fomos inhos
fomos seres equilibrados.
Mas a pele que tu tocaste
de marfim ficou papel
com letras carbonizadas,
entraram barcos nos meus portos
somente por ti achados.
O meu riso é aguardente
os meus lábios brotam sangue,
faz um ano e alguns meses
em profunda convulsão
que uma infinidade de vezes
tento adormecer em vão.
Mas o salvador morreu
com uma facada profunda
em agonia apenas minha,
alegre viúva consolada,
e nem rosas ou morfina
me fazem esquecer o dia
em que a minha má pontaria
matou a criatura errada.
via vidas noutras asas,
antigamente era tão fácil
caminhar pela calçada.
Mas o vento levou tudo,
até o branco dos lençóis,
corrompeu o meu perfume
e corrói em brandos lumes
os nossos ritos e costumes
entre opacos fumos
à beira de outros faróis.
Fomos ursos gambuzinos,
braços fortes e desmaios,
fomos casa, fomos inhos
fomos seres equilibrados.
Mas a pele que tu tocaste
de marfim ficou papel
com letras carbonizadas,
entraram barcos nos meus portos
somente por ti achados.
O meu riso é aguardente
os meus lábios brotam sangue,
faz um ano e alguns meses
em profunda convulsão
que uma infinidade de vezes
tento adormecer em vão.
Mas o salvador morreu
com uma facada profunda
em agonia apenas minha,
alegre viúva consolada,
e nem rosas ou morfina
me fazem esquecer o dia
em que a minha má pontaria
matou a criatura errada.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Quem me dera saber
Um dia soube tudo
o que havia a aprender
sem no entanto o saber
no devido momento.
Mas o tormento que és
nasceu na minha pele
e foi tanta a vontade
que o despir se fez tarde.
E o pesar e o sentir
logo foi mergulhado
no mar que se fez rio
do meu corpo molhado
e o meu sonho caiu
aterrou no teu peito
e o que era perfeito
fez-se ave de rapina.
O suor derreteu
a dor nas tuas mãos,
transbordou no meu colo
fez um corte a direito
e o sangue que jorrou
nos lençóis de cetim
foi a tua água benta
e o princípio do fim.
Quem me dera saber
escrever bem o amor
mas a flor do vazio
que cresce vagarosa
corrompeu-me as entranhas
e fez-me mentirosa.
o que havia a aprender
sem no entanto o saber
no devido momento.
Mas o tormento que és
nasceu na minha pele
e foi tanta a vontade
que o despir se fez tarde.
E o pesar e o sentir
logo foi mergulhado
no mar que se fez rio
do meu corpo molhado
e o meu sonho caiu
aterrou no teu peito
e o que era perfeito
fez-se ave de rapina.
O suor derreteu
a dor nas tuas mãos,
transbordou no meu colo
fez um corte a direito
e o sangue que jorrou
nos lençóis de cetim
foi a tua água benta
e o princípio do fim.
Quem me dera saber
escrever bem o amor
mas a flor do vazio
que cresce vagarosa
corrompeu-me as entranhas
e fez-me mentirosa.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Teia
A teia ao canto do tecto
permanece imóvel
à minha chegada
e a serenidade da aranha
faz-se tua enquanto tricoto
lençóis de algodão
no fingimento da mecanização.
E é tão egoísta pensar
que nunca cheguei a partir
da outra margem
e nunca te deixei chegar,
que qualquer vento norte
me poderá desorientar
e fazer voltar a sítios
de onde nunca fui realmente.
Como explicar-te, meu amor
que o meu coração se esvazia cada dia
e que o meu horizonte se estende
cada vez que abro os olhos
e vejo
que o que não quero ver
foi o que tive em tempos.
Como dizer-te
que o meu medo
não és tu mas eu,
que o meu fingimento
tem limites
e o esquecimento a que me propus
fez com que o poço
perdesse o reflexo
e me chamasse com um abraço.
E as coisas sem nexo
que espalho por ti
não são mais do que gotas de orvalho
que te faço lamber dos meus seios
convencendo-te
que não é veneno.
Mas é.
E fico absorta nestes pensamentos
mesmo que os teus
não passem de uma ideia adormecida...
E as mentiras mal paridas
não fui eu que as contei
porque sempre acreditei
em histórias para adormecer.
permanece imóvel
à minha chegada
e a serenidade da aranha
faz-se tua enquanto tricoto
lençóis de algodão
no fingimento da mecanização.
E é tão egoísta pensar
que nunca cheguei a partir
da outra margem
e nunca te deixei chegar,
que qualquer vento norte
me poderá desorientar
e fazer voltar a sítios
de onde nunca fui realmente.
Como explicar-te, meu amor
que o meu coração se esvazia cada dia
e que o meu horizonte se estende
cada vez que abro os olhos
e vejo
que o que não quero ver
foi o que tive em tempos.
Como dizer-te
que o meu medo
não és tu mas eu,
que o meu fingimento
tem limites
e o esquecimento a que me propus
fez com que o poço
perdesse o reflexo
e me chamasse com um abraço.
E as coisas sem nexo
que espalho por ti
não são mais do que gotas de orvalho
que te faço lamber dos meus seios
convencendo-te
que não é veneno.
Mas é.
E fico absorta nestes pensamentos
mesmo que os teus
não passem de uma ideia adormecida...
E as mentiras mal paridas
não fui eu que as contei
porque sempre acreditei
em histórias para adormecer.
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